shakeaspeare


Se te censuram, não é teu defeito,

Porque a injúria os mais belos pretende;

Da graça o ornamento é vão, suspeito,

Corvo a sujar o céu que mais esplende.

Enquanto fores bom, a injúria prova

Que tens valor, que o tempo te venera,

Pois o Verme na flor gozo renova,

E em ti irrompe a mais pura primavera.

Da infância os maus tempos pular soubeste,

Vencendo o assalto ou do assalto distante;

Mas não penses achar vantagem neste

Fado, que a inveja alarga, é incessante.

Se a ti nada demanda de suspeita,

És reino a que o coração se sujeita.

Comentários

Anônimo disse…
E assim seguem-se tantos, entre a inveja e a homenagem.
Hassan, o Árabe disse…
"Enquanto fores bom, a injúria prova
Que tens valor, que o tempo te venera"

muito legal isso!

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