E se...



Não precisa existir objetivo nenhum, nada programado para daqui a alguns anos.
E sobre o que você pensava quando tinha 10, 15, 20 anos?
Acabou no dia que você acordou e percebeu que tudo mudou e que nem mais se reconhece. Simplesmente será assim daqui por diante.
Seus medos serão cada vez mais grandiosos, mais pesados.
E aquela convicção de que a felicidade era facilmente alcançável e durava pra sempre?
Hoje tudo se esvai pelos atropelos do dia-a-dia. Essa tal felicidade é tão fugaz quanto o tempo.
Planejamos, elaboramos, estabelecemos metas para daqui a alguns anos. Somos cegos já que nem temos certeza dos anos que virão.
O nada não precisa de objetivo, não precisa ser programado.
Devemos sim é viver até quando durar a respiração, mesmo que ela seja funda e amarga. Mesmo que ela seja a própria dor.

Comentários

Henrik disse…
O problema principal dos planos que pretendemos executar na nossa vida é não contemplarem um princípio, dir-se-ia, básico da própria natureza da vida, isto é, nós não controlamos a nossa vida, e não é por falta de vontade. Pelo contrário, nós não controlamos a nossa vida precisamente por querermos exercer nela a nossa vontade...acontece que a vida tem planos próprios que não obedecem certamente a planos humanos. Os mitos prometeicos de uma vida sem doença, sem contratempos, numa palavra: anti-séptica é tão irrealista como os fantasistas que a criam. Com a descoberta do código genético passsou-se a pensar que o futuro está ao nosso controlo, mas ninguém pondera até que ponto os nossos genes não serão também influenciados pelo mundo exterior. A essa questão lembra muito o que se passou na psicanálise que de tanto analisar o fundo psíquico interior esqueceu-se de analisar até que ponto o nosso consciente influencia ou não o nosso inconsciente. Por isso, te digo D'angelo, faz planos sim! Mas, fá-los consciente de que muitos deles não se vão cumprir e isso não é negativismo, é antes pelo contrário a manifestação de uma esperança: eis o protótipo do amor pela vida: desejar sonhar mesmo sabendo as probabilidades estatísticas.
Beijo.
Laurita Danjo disse…
Obrigada meu caro. Seus conselhos são sempre bem vindos.
Anônimo disse…
A felicidade plena e grandiosa, dos gigantescos sonhos que todos temos ou tivemos, essa eu aceito: é fugaz.

Mas há toda sorte de pequenos momentos, de pequenas felicidades. Sementes de novos sonhos e de outras grandes expectativas. Essas, por si só, dá pra cultivar.
Não sabemos
nem mesmo
o que nos reserva
o amanhã...

Como poderíamos
programar a vida
pra daqui a 10 anos?

Beijo,
doce de lira

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