Eu sou Cléia?


Meus pensamentos são o que eu sou, um resultado unilateral da minha genética?
Genética, bela palavra para justificar todos os erros.
Minha genética me fez assim, inconstante, doente até.
Existem momentos na vida que você só consegue responder à partir das suas referências, tudo que sempre esteve mais próximo a você.
Novamente minhas respostas não fazem mais sentido.
Onde estou?
No buraco, onde de lá, o topo brilha como antes.
Perdi mais do que precisava.
E assim, repito a história.

Comentários

Henrik disse…
...Eu creio firmemente que houve um alinhamento biológico que me proporcionou esta triste condição minha: sou melancólico. Mas, ao longo dos meus tormentos (que são muitos e sempre serão) não creio em determinismos de qualquer tipo, embora por vezes, admito, sinto que todo o cosmos se revoltou e me odeia. Quando isso acontece, o que é frequente, leio normalmente 'O Mito de Sísifo' de Camus. É o livro mais estranho que tenho. Há anos que é o meu livro mais sublinhado, rascunhado, cheio de notas e sinais. É também um livro em que não se apresenta solução nenhuma para o desespero que nos sufoca a garganta, e o peito, aquele nervosismo que começa no peito sabes? e que percorre todo o corpo. Se me conforta é por me identificar com esta ideia: o desespero, se o sentimos sozinho e somente sozinhos, não é só nosso. Há muita gente a senti-lo. Existe um divórcio qualquer entre o mundo e as pessoas de facto. Todos nós já notamos isso pelo menos uma vez. Camus diz algo curioso, algo como «o absurdo esbofetea-nos à curva de qualquer esquina». O absurdo é aquela sensação de que algo está errado. Ou algo está de forma «diferente» para nós. Não é o desespero é antes uma outra sensação: como se vestíssemos uma uma pele que nos é estranha, não é nossa, incomoda, irrita-nos, entristece-nos, e desespera-nos. Esta é a primeira parte do que tenho para dizer.
Henrik disse…
D'angelo, a primeira pessoa com responsabilidade perante a nossa pessoa é: a nossa pessoa. Nós temos responsabilidade de nos fazermos felizes. Citando um escritor português que está nos meus links (Rui Zink): «A vida é injusta? Claro que é injusta! mas é absurdo dizer «Que mal fiz eu para merecer isto?» a menos que achemos que as crianças que nascem seropositivas fizeram algo para merecer aquilo.» Concordo com ele. A primeira coisa a fazer é reconhecer que de facto as coisas não estão bem, mas a segunda é perceber que na vida nada está sob controlo, que é uma ideia errada que nós criamos. E que fazer então? Primeiro perceber outra coisa, nada do que façamos nos dá sentido à vida. Como disse Fernando Pessoa «O sentido íntimo das coisas é elas não terem sentido íntimo nenhum». Nós temos uma dever minha amiga, o dever de tentar nos fazer felizes sem dependermos de terceiros. A vida é cruel, bizarra, e injusta, mas é nossa! E de certo que se pensares muito a fundo encontras coisas que gostas e adoras: amigos, família, objectos, sorrisos idiotas (e tão necessários), o mar, as estrelas, os dias e noites em que rimos sem parar, sem conseguir parar. na inocência, sem inocência, com vontade, sem vontade. No fundo, nesta minha divagação meio atabalhoada o que te pergunto é o seguinte: Estarás a ver as coisas pelo ângulo certo? Se algo está mal porque raio temos que pensar só no que é absolutamente mau? Procura dentro de ti algo que aches que é realmente importante e que te faça feliz, e depois guarda-a bem junto a ti. Se tememos os nossos pensamentos então voltemos nossos pensamentos contra o mal que nos aflige.

P.S. Quantas vezes agarras num livro de humor? Uma técnica que resulta comigo é agarrar num livro qualquer que tenha de um humorista qualquer, normalmente Woody Allen porque ele tem muitas piadas sobre o sentido (ou falta de) da vida, mas qualquer um serve. Há um brasileiro que adoro: Millôr Fernandes. Ajuda descomprimir os nossos pensamentos revendo-os de outro modo.
P.P.S. Por vezes um simples passeio também faz milagres.relev
Anônimo disse…
Todos por vezes perdemos certas coisas, e algumas acabam sendo mais importantes do que estávamos dispostos a sacrificar. Entropia, caríssima. Do mesmo ciclo que finda, surgem recomeços.
Henrik disse…
entropia...não...é preciso mais que entropia...é precisamente a entropia, i.e., a energia que não pode ser transformada em trabalho que nos mata a saúde de viver. Não se deve medir, na vida, o grau de entropia. Antes pelo contrário usar a energia que temos e que não pode ser usada para trabalho em função de outras coisas, fundamentalmente em função de nos tornarmos mais alegres. Em grau de desordem vivemos todos, mas não é a ordem que criamos que nos torna felizes nem a desordem mais infelizes, mas o que aprendemos a usar de ambas.
sombra e luz disse…
Eu iria ainda mais longe!...
(olá D'angelo...;)

aprender a usar de ambas é deixar de procurar o sentido das coisas mas em ocupar-se em dar-lhes um... um sentido que nos valha e torne felizes...

os seus pensamentos são únicos e irrepetíveis, seus! infinitamente seus, pequena gota consciente na grande vaga que precorre o tempo... deixe-se ir... perdoe-se a si própria e perdoe o mundo... flua com ele... ouvirá sua própria voz gritando, tente não gritar, tente cantar... a voz tem que sair, mas que não seja um enredo de medo e degredo, imagine a sua história no sentido do sonho e do segredo de a tornar feliz... só se tem a si, D'angelo, acredite nisso, acredite em si...

deixo-lhe um beijinho
e as minhas sinceras desculpas se achar que estou a invadir intrometidamente a caixa de comentários do seu blog,
(é que também tinha aqui um ombro livre...;)
Laurita Danjo disse…
Todos vocês são muito bem-vindos. Meus sinceros agradecimentos.
Luciana Andrade disse…
Genética pode ter um peso. Mas nós somos responsáveis por fazermos nossa história.
Por isso, rompa os ciclos! :)
Tyr Quentalë disse…
Todos por vezes perdemos certas coisas, e algumas acabam sendo mais importantes do que estávamos dispostos a sacrificar. [2]

Muitas vezes a história se repete, mesmo com condimentos diferentes, ela ainda se repete...
Rompa o ciclo, batalhe, não deixe a história se repetir mais uma vez. É o que eu tenho tentado a cada nova existência.
Renato Rios disse…
o topo é só uma ilusão... de lá o mundo é simplesmente mais solitário ainda, mas pelo menos deve ter uma vista bonita, ou não.
engraçado como tenho ouvido tanta gente usar a "genética" como uma espécie de justificativa...
Enfim, foto engraçada!
=]
Abraço
Hassan, o Árabe disse…
não é só genética... penso que não...
a alma que foge à biologia tem seu peso.

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