Palavras de má reputação


Tenho vontade de cometer más ações.
Quem disse que isso seria ruim? Não me lembro mais.
Nada é certo nem errado e ninguém é tão bom ou mal quanto parece.
Que vontade que dá do incerto, de largar tudo pra lá e deixar que todos me julguem.
Todos julgam erros e premiam acertos para que outros possam ver, aprender.
Nenhum instinto de justiça está fora de órbita tal como minhas vontades.
E eu saindo de cima do muro cansada de ser um espírito livre e cauteloso que gosta de ficar apenas a borda de suas experiências e não vive as coisas em toda a sua largueza e abundância.
Não mais.
Me deixem praticar más ações.
Chega de fórmulas adquiridas pelo costume, pela cultura, pelas necessidades aprendidas.
Tudo poderia ter sido ao contrário, a cultura poderia ter sido outra, nada de julgamentos ou pessoas boas e más.
Quem disse que isso seria ruim?



Comentários

Renato Rios disse…
A grande relatividade das coisas... más ações (ou mesmo as não necessariamente más, mas diferentes) impactam, chocam porque excedem o grau de normalidade que as convenções sociais nos impõem... um único conselho: só espero que você seja forte o suficiente para arcar com as consequencias do agir diferente nessa sociedade de iguais!
Beijo!
ps: aceito o convite, se for para BH vc terá que me levar nesse lugar que prometeu!
Laurita Danjo disse…
O convite tá de pé!!!! Olha teu blog.
Bjusss
Hassan, o Árabe disse…
por esses dias estou lendo "notas do subsolo" de dostoievski. o livro trata desse assunto que você trouxe no post, sobre fazer o certo, ou aquilo que parece ser certo, exato.

ele diz que a partir do momento em que o homem viver baseado no "dois mais dois igual a quatro" ele terá uma vida cômoda, prevista e tranquila, mas e a emoção, os sentimentos e livre arbítrio, onde ficariam? qual seria a graça?

todos transgridem a "lei" alguma vez na vida.
Henrik disse…
É verdade sim senhor. 'cadernos do subterrâneo' (na tradução portuguesa) trata exactamente este tema. Aliás o livro começa com a afirmação 'eu sou um homem doente...Sou um homem mau'. Mas, ser mau e fazer algo mau são coisas distintas. Ser mau é querer, como o Marquês de Sade tão bem compreendeu, corromper as coisas desde o mais ínfimo grão. Fazer algo mau, não só é relativo, como pode não ser por nossa vontade. Posso inadvertidamente fazer algo que maltrate um terceiro.
Há maldades que vêm por bem. Qual é o critério?
Olha se seguíssemos os conselhos papais vindos de Roma? andávamos todos seropositivos ou então ficaríamos intolerantes ao prazer. Ora essa! a maioria dos nossos actos, desde o acordar até ao dormir, segundo os critérios eclesiásticos, é pura maldade. Pequemos pois então. Quem julga os outros normalmente fá-lo por duas razões: ou gostaria de ter feito o mesmo ou fá-lo mas tem remorsos e portanto acusa os outros daquilo que faz como que para se compensar por não se controlar. Mas quem julga muito pouco juízo tem.
Anônimo disse…
o importante é ter consciencia que existe o amanha. se ninguém ficar sabendo, apronta mesmo! hehehee

beijo
Laurita Danjo disse…
Eu terminei de ler Humano desmasiado humano de Nietzsche. Daí fiquei zureta..rs..
Tyr Quentalë disse…
depende de como vemos as coisas, aprendi que ´devemos observar por todos os lados dos prismas. Curta sua vida, D'Angelo, mais do que nunca.

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